Crônica de uma morte anunciada

Por Henrique Motta

No dia em que o matariam, Jamal Khashoggi preparou-se pela manhã para ir ao consulado saudita em Istambul, Turquia. O jornalista saudita havia visitado o local pela primeira vez no dia 28 de setembro para obter um certificado de divórcio que o permitiria casar com sua noiva turca. Contudo, foi instruído a retornar no dia 2 de outubro por funcionários da repartição. Com muros amarelos altos decorados com arame farpado, o consulado saudita ostenta uma aparência misteriosa. Suas paredes e portões de metal pesado pouco revelam sobre o que ocorre em seu interior. Apesar de não ser muito grande, o sobrado de pintura amarelada possui excêntrica imponência decorrente da impenetrabilidade de suas entranhas, o que o distingue do resto do cosmopolita distrito de Beşiktaş, onde está situado. Naquela terça-feira, dia 2, Khashoggi atravessou os portões do prédio para nunca mais deixá-los com vida. Seu desaparecimento, seguido da confirmação de sua morte, acabaria por desencadear uma crise internacional envolvendo altos escalões do governo saudita, cujos desdobramentos finais, o principal foco desta análise, ainda estão indefinidos.

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XXVIII Boletim de Conjuntura

O PET-REL torna público seu XXVIII Boletim de Conjuntura.
Nessa edição, o Boletim foi temático e abordou o tema Governos Democráticos e Autoritarismo, Paradoxos da Legitimidade. Os títulos das análises são:
  • Autoritarismos farmacopornográficos (por David Guzzo)
  • Bolsonaro, memória e ditadura: experiências de justiça de transição no Brasil e na Argentina (por Gabriel de Azevedo Soyer)
  • Brasil acima de tudo: mito fundador e construção de narrativas nas eleições de 2018 (por Daniel Cunha Rego, Daniel Silva Gualberto e Kamila de Sousa Aben Athar Alencar)
  • Choram Chicos e Sônias no solo do Brasil (por Marina Montenegro de Miranda Jacon e Marina Morena Alves)
  • Combate ao terrorismo e restrição de liberdades (por Guilherme Pimenta Cyrne)
  • Discussões conceituais, efeitos materiais: como as polarizações do espectro político se traduzem em violência (por Letícia Barbosa Plaza)
  • Estamos em guerra? Democracia, conflito e virtude (por Mauro Cazzaniga)
  • Governos democráticos e autoritários: o que podemos aprender com o Peru? (por Vitória Teixeira Rocha)
  • Líderes anti-Globalização e o Realismo (por Henrique Oliveira da Motta)
  • Medo, violência e militarismo: o imaginário social no Brasil de 2018 e a sociabilidade autoritária (por Tiago Marques Rubo)
Convidamos todas à leitura de nossas análises.

Transtopia: repercussões internacionais do conservadorismo estadunidense

por Letícia Barbosa Plaza

No dia 21 de outubro a comunidade LGBTI estadunidense, e mais especificamente o segmento formado pela população trans, teve mais uma vez os seus direitos sistematicamente ameaçados pelo presidente da república. A administração Trump comunicou que está considerando fortemente definir o conceito de gênero perante ao Estado como uma condição biológica, imutável e determinada pela genitália no momento do nascimento. O New York Times referiu-se ao fato como “a medida mais drástica de um esforço governamental para reverter o reconhecimento e a proteção de pessoas trans sob a lei federal de direitos civis” (BENNER et al., 2018).

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BRIEFING LARI out 2018

Nesta sexta-feira, dia 19/10, às 9h, no prédio do IPOL/IREL, o PET-REL realizará o seu quarto Laboratório de Análise em Relações Internacionais (LARI) de 2018.

Não perca a oportunidade !
Esse será um LARI temático que vai tratar de governos democráticos e autoritarismo, seus paradoxos e suas legitimidades. Mediante o contexto brasileiro atual de eleições para decidir o que será do país pelos próximos quatro anos, o LARI se propõe a explorar os programas de governo dos presidenciáveis referentes à política externa, bem como a polarização entre direita e esquerda, as tensões democráticas e as legitimidades autoritárias.
Em um primeiro momento, por uma hora e meia, as duas salas estarão separadas. Depois de um intervalo de 15 minutos, juntaremos os dois grupos para que as discussões que aconteceram separadamente sejam compartilhadas.
Com o intuito de instigar um debate mais proveitoso a todas, preparamos um briefing para nos familiarizarmos melhor com os assuntos. Confira no link: https://drive.google.com/file/d/1GbNVJ-BCvS6wIHxUhw5t0MUQtaZUDvfR/view?usp=sharing
Convidamos todas a participar.
Contamos com sua presença no LARI nessa sexta!
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O Brasil vai virar uma venezuela? O revisionismo ideológico do presente nas eleições brasileiras

por Daniel Cunha Rego

Durante sua entrevista no Jornal Nacional, o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro afirmou que o livro “Aparelho Sexual e Cia.” estava sendo distribuído nas escolas públicas como parte de um suposto “kit gay”, fato negado pela editora do livro e pelo Ministério da Educação (O GLOBO, 2018). O mesmo candidato cita, em seu plano de governo, o “marxismo cultural” que estaria se unindo a oligarquias para “destruir a família” (p. 8), além de sugerir uma conspiração totalitária por parte do Foro de São Paulo (p. 11). Circulam, nas redes sociais, textos que alertam para uma “venezuelização” do Brasil caso o candidato do PT, Fernando Haddad, ganhe as eleições.

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Nadando contra a corrente: por que o Japão continua a defender a caça às baleias

por Daniel Gualberto

Acompanhado por dias de manifestações, o 67º Encontro Anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI) – que ocorreu em Florianópolis durante os dias 4 e 14 de setembro – ficou marcado pela já tradicional disputa entre os países que são contrários e os que são favoráveis à pesca baleeira. Alcançaram-se três importantes decisões durante o evento: a rejeição da criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul; a adoção da Declaração de Florianópolis, proposta brasileira que reitera a importância da moratória sobre caça comercial de baleias; e, mais significativamente, a rejeição de uma proposta japonesa para liberar esse mesmo tipo de caça (G1, 2018). A tentativa nipônica representa mais um capítulo da histórica e polêmica relação entre Japão e pesca baleeira, marcada por conflitos de natureza cultural, comercial e de política interna e externa.

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XXVII Boletim de Conjuntura

O PET-REL torna público seu XXVII Boletim de Conjuntura.
Nessa edição, o Boletim foi temático e abordou o tema Eleições Presidenciais e a Política Externa. Os títulos das análises são:
  • “A escolha eleitoral num mar de informações” (por Igor Magri de Queiroz)
  • “A questão da Venezuela: uma análise sobre as percepções dos presidenciáveis brasileiros” (por Marina Morena Alves)
  • “Análise do agronegócio no plano de governo dos e das presidenciáveis” (por Gabriel de Azevedo Soyer)
  • “Da política de prestígio à miopia: perspectivas para o futuro da inserção internacional brasileira” (por Mauro Cazzaniga)
  • “Ele não. E elas?” (por Letícia Barbosa Plaza e David Guzzo)
  • “Eleições de 2018: o Clima está tenso” (por Marina Montenegro de Miranda Jacon)
  • “Eu, entre esquerda e direita, continuo sendo preta” (por Aisha Sayuri Agata da Rocha)
  • “Lula, Bolsonaro e Trump: o poder da imagem nas eleições” (por Kamila de Sousa Aben Athar Alencar)
  • “Lula, TSE e ONU: por um Direito Cosmopolita” (por Daniel Cunha Rêgo)
  • “Lula e Direitos Humanos em tempos de violência” (por Lucas Freschi Sato)
  • “Política Externa: um jogo de dois níveis” (por Henrique Oliveira da Motta)
  • “Que há de novo no partido Novo?” (por Guilherme Pimenta Cyrne)
  • “Violência política e política da violência” (por Tiago Marques Rubo)
Convidamos todas à leitura de nossas análises.