Animações e educação: uma alternativa para a diversidade

Análise originalmente publicada no Boletim de Conjuntura Internacional nº 24

por Aisha Sayuri Agata da Rocha

As animações, um formato de produção audiovisual voltado para crianças, são um bom recurso para transmitir mensagens e lições importantes, através de uma linguagem simples e de fácil entendimento.  Esta análise tem por objetivo discorrer sobre a importância que as animações podem ter em uma formação educacional humana que preza pela aceitação da diversidade, ressaltando o papel importante tanto dos idealizadores quanto do conteúdo dos desenhos, sem esquecer também das dificuldades e as problemáticas que podem surgir no desenvolver das produções. Atualmente, as produções animadas têm desenvolvido, com sua linguagem artística própria, temáticas consideradas tabu pela sociedade, e vêm incluindo cada vez mais diversidade e representatividade em suas personagens e na formação das crianças e jovens pelo mundo.

Um primeiro exemplo disso seria o programa infantil Steven Universo, . É uma produção que mostra a vida e as aventuras de um menino e as gems[1]. Através dessas personagens e do enredo, Steven Universo trata, por alusões, de relacionamentos entre personagens femininas, relacionamentos interraciais, preconceito, entre outros temas; como exemplo pode-se citar o relacionamento entre Rubi e Safira, duas gems – retratadas como femininas – que durante todo o desenho demonstram ter um envolvimento romântico duradouro, saudável e emocionante.

Tendo em vista que é uma produção destinada a crianças, ela influencia diretamente indivíduos em processo de formação, modificando o jeito com que aprendem a lidar com situações envolvendo alteridades[2] e até elas mesmas. Acompanhar o desenho a partir da visão de Steven, uma criança passando por esse processo de formação da própria identidade cercado pelo ambiente de diversidade proposto no enredo, e que lida com essas alteridades de forma natural é elemento central nesse processo. Cumpre assim, um importante papel social pela naturalidade e simplicidade que confere a temas vistos como tão polêmicos e complexos, promovendo sua acessibilidade.

Levando em conta ainda que é transmitido em muitos países – dentre eles Estados Unidos, Brasil, Espanha, Itália, França, Canadá, Dinamarca, entre outros, não é um fenômeno restrito ao nível nacional de onde a animação é feita. A produção cultural deixou de ser produzida e consumida só nacionalmente. Imersa no mundo globalizado, a exportação de conteúdo é um fenômeno cada vez mais comum. A projeção internacional que certos empreendimentos culturais conseguiram demonstra a característica transnacional da cultura; A maior conexão entre espaços distantes promovidas por esses conteúdos expande seu alcance. Dentre disso, as animações são importantes por atingir o público infantil; utilizando as dublagens feitas em diversas línguas e a transmissão dos conteúdos em vários lugares pelo mundo. Os desenhos animados adquiriram uma função social que transcende o nacional e potencializa sua capacidade transformadora e alcance.

Um dos primeiros desenhos que podem ser identificados como parte dessa tendência é Hora de Aventura. Ele trata de temas como assédio relacionamento amoroso entre mulheres; envolto por um cenário apocalíptico que gera possibilidades de reflexões sobre outras questões políticas, como o abandono parental por exemplo, para além da diversidade representada por alguns personagens como Marceline e Princessa Jujuba, que aparentam ter se envolvido romanticamente. Entretanto Hora de Aventura tem muitas cenas de violência, que ocasionam a censura de certas partes em diversos países, que geram confusão na cabeça das crianças, podendo ter repercussões negativas no futuro por também influenciarem o processo de formação.

Essa animação contou com a participação de Rebecca Sugar, criadora de Steven Universo, na escrita de alguns episódios. Nessas dinâmicas, roteiristas e produtores são atores chave para a concretização do potencial educacional e de mudança do que produzem. Indivíduos como Rebecca Sugar são grandes vozes desse fenômeno. Ela, como partícipe direta da indústria da animação, procura se comunicar e fortalecer as crianças consideradas “esquisitas”, mostrando que não há nada de errado em ser diferente (D’ANGELO, 2017).

Quando Rebecca conseguiu produzir seu desenho próprio, tornou-se a primeira mulher criadora de séries animadas do Cartoon Network (D’ANGELO. 2017). Em Steven Universo, as temáticas já mencionadas são tratadas através de metáforas muito mais explícitas que em outras animações e isso deve-se em parte pela identidade de Rebecca Sugar, pautada na centralidade de questões de gênero e sexualidade. Como a própria criadora diz, a presença de mulheres fortes e de relacionamentos LGBTs em seu desenho é relacionado com a sua experiência enquanto mulher bissexual (AVERY, 2016), ela quer dar para as crianças outras narrativas sobre o amor a fim de mostrar que todos os amores são possíveis, válidos e devem ser respeitados. Outro elemento que corrobora tal afirmativa é a constante reafirmação das mensagens educativas que a criadora faz em entrevistas quando questionada sobre a natureza das cenas e histórias dentro do enredo. É extremamente importante para Rebecca Sugar que suas mensagens sejam compreendidas e desenvolvidas, tanto que o conteúdo que produz é projetado para além da televisão. Através de livros infantis relacionados com o conteúdo de seu desenho, ela consegue desdobrar com mais profundidade as temáticas e as mensagens de sua produção, potencializando a dimensão transformadora.

A continuidade desse movimento político, com um potencial propósito pedagógico, pode ser vista na releitura de desenhos antigos como As Meninas Superpoderosas, que também é uma produção de alcance internacional. Em sua versão de 2016, o desenho animado mantém as críticas ao machismo, à estrutura patriarcal e aos papéis de gênero por mostrar três meninas super-heroínas poderosas que salvam o dia, ao invés de personagens indefesas que precisam ser salvas; com um pai responsável por cuidar, cozinhar e limpar, tarefas que comumente são associadas necessariamente a uma figura feminina. Além disso, essa nova versão já tratou, metaforicamente, sobre transexualidade retratando um cavalo que se sente unicórnio, e quer ser um unicórnio[3]. Sem mencionar que explora com mais profundidade o empoderamento das meninas frente a vilões masculinos que desafiam suas capacidades, proporcionando a todas as meninas, que têm acesso ao desenho, uma visão mais positiva sobre si e do que são capazes de fazer.

Ademais, a inserção de uma menina superpoderosa negra – Bliss – demonstra uma preocupação com a representatividade, isso porque inclui dentro das personagens centrais do desenho alguém negra, diversificando as representações que o desenho traz, retratando agora não só mulheres brancas, mas também mulheres negras. Democratizando um pouco a produção, e influenciando diretamente no empoderamento de meninas negras pela via da identificação, Meninas Superpoderosas passa a mostrar e se comunicar diretamente com um público maior, podendo assim afetar a formação de mais crianças.

Outra pluralização que é importante ser mencionada é em relação aos centros de produção de tal conteúdo. A periferia do sistema internacional tem ganhado espaço nesse mercado. Pode-se exemplificar isso através da primeira produção inteiramente latinoamericana do Cartoon Network: Irmão do Jorel. Esse desenho foi criado no Brasil, e aos poucos tem conseguido expandir seu alcance para a América Latina, com perspectivas de ser veiculado dos Estados Unidos (D’ANGELO, 2016). A temática da animação também traz elementos de diversidade, principalmente na forma de três personagens femininas: uma que performa a feminilidade branca e ocidental, através da personificação da delicadeza, fragilidade, elegância; e outras duas que não correspondem a essa construção, por praticarem esportes, terem uma postura mais dura e desafiadora.

Todo esse conjunto de produções audiovisuais exploradas permite facilitar o debate sobre desconstrução de padrões de gênero, homossexualidade, LGBT e, raça com crianças. O retrato visual e a linguagem simplificada e natural pelas os temas são abordados nas das animações, permite que a discussão seja mais acessível tanto aos mais jovens quanto a demais públicos não familiarizados com as temáticas. Para fins educacionais, esse é um recurso importantíssimo que pode ser usado, promovido e patrocinado por movimentos sociais, ONGs e Estados.  Isso inclui, na formação de jovens, discursos sobre aceitação, preconceito e respeito.

Mas não se pode esquecer dos possíveis efeitos negativos desse processo. A produção transnacional da cultura também traz consigo um efeito de massificação. As manifestações tradicionais e locais aos poucos são substituídas por uma linguagem que busca comunicar-se com mais pessoas ao mesmo tempo em vários lugares. Desviando os investimentos daquilo que é localmente identitário, para o que pode ser internacionalmente exportado. Além do mais, a representação que tanto discute-se sobre não se mostra necessariamente positivas em todas as personagens inseridas, por vezes reforça estereótipos involuntariamente, como por exemplo a personagem Bliss que é retratada como alguém que não consegue controlar seus poderes e precisa ser contida, dando respaldo a visão que mulheres negras são descontroladas e podem explodir a qualquer momento – o mito da negra raivosa. Porém, mesmo com todas essas possíveis negatividades, todo o empreendimento ainda é importante para facilitar a educação de jovens e crianças sobre a diversidade do mundo.

A combinação do interesse mercadológico e o interesse social nessas produções gera um resultado importante nesse sentido. O desejo dos grandes canais produtores em agregar mais público e vender mais ao retratar temas mais progressistas e integrar o movimento de inclusão e representatividade associado à necessidade de financiamento de roteiristas e produtores que querem retratar a diversidade e promover a mudança; resulta numa maior abertura para a concretização de projetos como os de Rebecca Sugar e os já citados. Seguindo essa tendência, cada vez mais poderá haver na televisão animações disponíveis que tratem de temáticas consideradas tabus, mas que visam a quebra e desconstrução de preconceitos e padrões. Por mais que também haja a possibilidade de haver uma inundação do mercado com desenhos com estruturas muito parecidas, e as mensagens se percam na onda de superprodução visando o lucro.

A partir de uma visão mais institucional, a intensificação da internacionalização desse fenômeno, com uma diversidade ainda maior de lugares de narrativas, de temas e do alcance dessa nova possibilidade de socialização cria um locus mais sólido para ação, intervenção e promoção internacional de propostas sociais. Através de financiamentos privados e estatais, em programas de incentivo à cultura, ou partindo de ONG’s e até de Organizações Internacionais – como a UNESCO com o Fundo Internacional para a Promoção da Cultura (IFPC) – pode-se explorar essa alternativa cultural na produção audiovisual para concretizar avanços em pautas referentes à raça, gênero e sexualidade. Dentro desse cenário abre-se a perspectiva não só para os conteúdos massificados para a venda, mas também para as produções relacionadas a cultura local identitária que precisa ser resgatada e valorizada.

[1] No programa, as gems são seres alienígenas humanoides. Elas vêm de um planeta chamado Homeworld. O que as define e diferenciar é ter um centro na forma de uma pedra preciosa. Essa pedra diz qual o nome daquela gem.

[2] Alteridades aqui está sendo usado no sentido de algo diferente do que aquilo que o eu é. Steven é um meio humano, meio gem, que se depara constantemente com o que era relacionamento interracial de seus pais, e os encontros entre humanos e gems. Além também do próprio relacionamento amoroso entre as gems, todas personagens femininas, nisso pode-se citar tanto Rubi e Safira, quanto a Pérola e Rose.

[3]  Nesse episódio, também são explorados de certa forma os riscos de se fazer uma cirurgia de transição, uma vez que quando o cavalo passa pelo procedimento de implantação de um chifre, resultados prejudiciais acabam surgindo. No final, a cirurgia é revertida, contudo, ele descobre que ele realmente sempre foi um unicórnio. Para se chegar a essas interpretações, é preciso ter familiaridade com o debate, o que pode diminuir o efeito do potencial pedagógico da proposta.

 

Referências Bibliográficas:

AVERY, Dan. Rebecca Sugar came out as bi, explained why queerness is so important to “Steven Universe”. NewNowNext, jul 2016. Disponível em: http://www.newnownext.com/rebecca-sugar-came-out-as-bi-explained-why-queerness-is-so-important-to-steven-universe/07/2016/ acesso em nov 2017

D’ANGELO, Helô. Batemos um papo com Rebecca Sugar, criadora de ‘Steven Universo’. Superinteressante, mai 2017. Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/entrevista-com-rebecca-sugar-criadora-de-steven-universe/ acesso em out 2017

D’ANGELO, Helô. Batemos um papo com Juliano Enrico, criador do ‘Irmão do Jorel’. Superinteressante, nov 2016. Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/batemos-um-papo-com-juliano-enrico-criador-do-irmao-do-jorel/ acesso em out 2017

O GLOBO. Conheça a primeira personagem negra de ‘As meninas superpoderosas’. set 2017. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/conheca-primeira-personagem-negra-de-as-meninas-superpoderosas-21836469 acesso em out 2017

SMITH, Nia Howe. ‘Steven Universe’ creator on growing up, gender politics, her brother. Entertainment Weekly, jun 2015. Disponível em: http://ew.com/article/2015/06/15/steven-universe-creator-growing-gender-politics-her-brother/ acesso em out 2017

INTERNATIONAL FUND FOR THE PROMOTION OF CULTURE. Disponível em: https://en.unesco.org/ifpc/content/about-fund acesso em out 2017

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A Moeda de Gênero: a lei de aborto e as eleições chilenas

Análise originalmente publicada no Boletim de Conjuntura Internacional nº 23

por Barbara Tiemi Okamura

No último mês de agosto o Tribunal Constitucional do Chile aprovou uma lei que permite o aborto em três casos: risco de vida à mãe, estupro e inviabilidade do feto. A presidenta Michelle Bachelet, também ex-diretora executiva da ONU Mulheres, comemorou o acontecimento como um importante passo na luta pelos direitos das chilenas. Entretanto, 2017 é um ano de eleição presidencial no país e assim, faz-se necessário perguntar quais são as conexões entre o cenário político chileno – e latino americano – e essa conquista feminina. A presente análise argumenta que a aprovação dessa legislação pode ser um importante elemento de capital político para os candidatos.

Segundo a empresa de pesquisas Cadem, 70% dos chilenos apoiavam a descriminalização do aborto nos três casos previstos pela lei apresentada por Bachelet (LA TERCERA, 2017). A aprovação da lei também foi derivada dos esforços de movimentos feministas como o Corporación por los Derechos Sexuales y Reproductivos de las Mujeres (Miles) (MOLINA, 2017) que fizeram manifestações a favor da legislatura, pressionando tanto o Congresso quanto o Tribunal Constitucional e articulação com outras organizações sociais para angariar apoio à causa. Isto, aliado ao  discurso da deputada da oposição, Lily Pérez, que disse que era uma mulher e iria votar em defesa daquilo que as mulheres chilenas sentiam (MOLINA, 2017) deixa clara a importância da pauta para a sociedade chilena, especialmente para as mulheres.

A partir disso, deve-se observar de que forma os discursos de defesa ou rechaço à lei poderão prejudicar ou favorecer os candidatos presidenciais. O Chile passa, assim como Brasil, Argentina e outros países latino americanos, por uma fase de grande desconfiança por parte da população com a esquerda, especificamente a esquerda social democrata e, como consequência, a imagem da atual presidenta está bastante fragilizada (MONTES, 2017). Além disso, o Chile vive uma diminuição nas suas previsões de crescimento econômico devido à contração de setores importantes – mineração, serviços empresariais, construção, etc – que juntos compõem 40% da economia (GRANADO, 2017). É neste contexto que Sebastián Piñera, candidato do bloco de direita Chile Vamos, ganha força, o que pode ser comprovado por sua vitória nas primárias com maioria significativa (MONTES, 2017).

Piñera já declarou ser contra a descriminalização do aborto, mesmo nos casos previstos por essa lei, por ser a favor da vida em todos os momentos (BBC, 2017). Sua coalizão também expressou rejeição e ainda usou o acontecimento para mostrar, de forma negativa, quais são os reais valores do governo de Bachelet e o atacou dizendo que a decisão era contra os Direitos Humanos por ser contra o direito à vida (JARA, 2017). Dessa forma, o bloco de direita fez uso da questão do aborto para fragilizar ainda mais a imagem da presidenta com o intuito de fortalecer a campanha de seu candidato, que é basicamente pautada na proposta de conduzir o país de forma muito diferente do governo vigente (CUÉ, MONTES, 2017). Por fim, esse discurso conservador do Chile Vamos e de Piñera é um ponto de aproximação com a Igreja Católica, instituição ainda muito forte e relevante no Chile, e seus apoiadores, podendo assim, ganhar seus votos.

Entretanto, esse posicionamento de Piñera é o que pode fortalecer a esquerda chilena. Alejandro Guillier, candidato pela coalizão de esquerda que se alinha com Bachelet, declarou em suas redes sociais que não serão tempos melhores para as mulheres se Piñera for eleito (LA TERCERA, 2017). Fica claro que o argumento de que o candidato de direita trará retrocessos para os direitos das mulheres tem o potencial de ser bastante convincente para eleitores, especialmente eleitoras. Esse raciocínio ainda é fortalecido pelos desenvolvimentos da lei em questão, uma vez que há um processo para alterar partes dessa, o que é considerado como um retrocesso e que é movimentado pela oposição, Chile Vamos (AYALA, VALENZUELA e CARO, 2017).

Ademais, Guillier pode se beneficiar da proximidade de seu bloco com a presidenta. Michelle Bachelet foi, de fato, pivô da aprovação da lei que permite o aborto em três ocasiões: ela a propôs em janeiro de 2015 e desde então tem direcionado esforços para que a promulgação ocorresse, defendendo publicamente que as mulheres deveriam ter escolhas e sendo bem sucedida por ter conseguido os votos de seu bloco, mesmo enfrentando resistências internas, que partiam do Partido Democrata Cristão. Um argumento possível a favor de Guillier seria que ele daria continuidade às conquistas sociais e à visibilidade de pautas consideradas progressistas, por pertencer ao bloco de Bachelet, coalizão que a apoiou no Congresso para que a lei fosse aprovada e que recentemente se separou do Partido Democrata Cristão (MONTES, 2017).

Essa mesma importância pessoal de Michelle Bachelet na luta pelo direito ao aborto tem o potencial de beneficiar outra presidenciável, Beatriz Sanchéz, do bloco Frente Ampla. Este propõe uma nova esquerda, que realmente supere problemáticas que a esquerda social democrata do Chile não conseguiu resolver (MONTES, 2017). Essa é uma das bases da imagem de Sanchéz, que poderia ganhar maior proeminência por ser mulher. A lei de descriminalização do aborto em certos casos é uma vitória para muitas chilenas e o fato de ter sido liderada por uma mulher é muito simbólico. Isso contribui fortemente para o argumento de que mulheres no poder têm maior tendência a agir em defesa dos interesses de mulheres e por isso, se busca-se outros avanços nos direitos femininos, eleger uma presidenta é a melhor chance. Considerando que Beatriz Sanchéz é a principal, se não única, mulher concorrendo à presidência, é fácil enxergar como a aprovação dessa lei a favorece, principalmente quando se lembra da sua proposta de renovação da esquerda.

Dessa forma, pode-se traçar previsões para o contexto chileno. Um cenário muito possível é que o Chile não destoe do processo de crise das esquerdas e fortalecimento das direitas que ocorre na América Latina – e no mundo – e dê mais importância a questões econômicas, como a diminuição do crescimento, do que outras. Isso enfraqueceria os argumentos contrários a Piñera, que apontam o seu conservadorismo e a vontade de seu bloco de retroceder a lei do aborto. Caso seja eleito, será realmente preocupante o efeito que um presidente com posicionamento conservador e com apoio partidário, nesse sentido, pode ter sobre a legislação e, consequentemente, sobre os direitos das mulheres.

Assim, tem-se que as pautas feministas têm ganhado relevância nas políticas de inúmeros países, como o Chile. A sua importância se mostra não só nos avanços alcançados, e nesse caso, uma conquista que vai contra crenças cristãs em um país onde a Igreja Católica ainda é muito influente, mas na possibilidade do uso dessas pautas como capital político, motivando declarações de candidatos, coalizões e podendo prejudicar ou beneficiar as chances de Piñera, Guillier e Sanchéz de chegar à presidência.

 

Referências:

AYALA, L., VALENZUELA, P. e CARO, I. ‘Cámara Pide al Tribunal Constitucional Rectificar Fallo por Objeción de Conciencia’, La Tercera, 2017, diponível em < http://www.latercera.com/noticia/camara-pide-al-tribunal-constitucional-rectificar-fallo-objecion-conciencia/>

CADEM: 70% respalda aprobación del TC al proyecto de aborto, La Tercera, 2017, disponível em <http://www.latercera.com/noticia/cadem-70-respalda-aprobacion-del-tc-al-proyecto-aborto/>

CHILE Aprueba la Despenalización del Aborto en Tres Causales en Histórica Decisión, BBC, 2017, disponível em <http://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-41006338>

JARA, Alejandra ‘Chile Vamos “Lamenta” Aprobación de Aborto en TC’, La Tercera, 2017, disponível em <http://www.latercera.com/noticia/chile-lamenta-aprobacion-aborto-tc/>

CUÉ, Carlos E.; MONTES, Rocío ‘Sebatián Piñera: ‘O Chile Perdeu o Rumo com Bachelet’’, El País, 2017, disponível em <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/22/internacional/1492814810_813701.html>

GUILLIER Arremete Contra Piñera por Aborto: “Con Él No Serán Tiempos Mejores para las Mujeres”, La Tercera, 2017, disponível em <http://www.latercera.com/noticia/guillier-arremete-pinera-aborto-no-seran-tiempos-mejores-las-mujeres/>

GRANADOS, Óscar, MONTES, Rocío ‘América Latina Se Recupera, Mas Sem Criar Empregos’, El País, 2017, disponível em <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/04/internacional/1501845521_982140.html>

MICHELLE Bachelet a la BBC Sobre el Aborto en Chile: “Soy una Convencida de que las Mujeres Deben Tener la Posibilidad de Decidir”, BBC, 2016, disponível em <http://www.bbcmundo.com/mundo/noticias-america-latina-37502972>

MOLINA, Paula ‘Las Mujeres Clave en la Despenalización del Aborto en Tres Causales en Chile’, BBC, 2017, disponível em <http://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-40998456>

MONTES, Rocío ‘Centro e Esquerda Rompem pela Primeira vez em Três Décadas no Chile’, El País, 2017, disponível em <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/01/internacional/1493596304_477769.html>

MONTES, Rocío ‘Chile se Soma à Crise Global da Social-Democracia’, El País, 2017, disponível em <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/20/internacional/1495246013_366842.html>

MONTES, Rocío ‘Piñera Obtém Uma Vitória Expressiva nas Primárias da Direita Chilena’, El País, 2017, disponível em <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/03/internacional/1499055793_670929.html>

XXIV Boletim de Conjuntura

O PET-REL torna público seu XXIV Boletim de Conjuntura.
Confira aqui!
Nessa edição, trabalhamos os seguintes temas:
– Perseguições Étnico-Religiosas: o caso dos Rohingya
  • Entre Washington e Pequim: o papel de China e EUA no futuro dos Rohingya (por Alex Lopes Marques)
  • China e Índia: Perspectivas para a Crise Rohingya (por Gustavo Partel Balduino Oliveira)
  • A Crise dos Rohingya: uma perspectiva regional (por Igor Magri de Queiroz)
  • Religião como outro paradigma das Relações Internacionais: a perseguição contra os muçulmanos Rohingya (por Oliver Albert Freiberg)
  • A crise migratória em Mianmar, o non-refoulement e o impasse para a consolidação de uma ordem mundial (por Pedro de Souza Ferreira)

 

– Animações e a política em produções audiovisuais.
  • Animações e educação: uma alternativa para a diversidade (por Aisha Sayuri Agata da Rocha)
  • Mídias audiovisuais, censura e a perseguição à população LGBT (por Letícia Barbosa Plaza)
  • “Irmão do Jorel”: o discurso do Cartoon Network para a criança latina (por Lucas Freschi Sato)

– O agronegócio e a violência contra a população indígena

  •  O agro é tech. O agro é pop. O agro é tudo. O agro também é gringo e mata (por Gabriel de Azevedo Soyer)
Convidamos todas à leitura de nossas análises.
Aproveite!

Briefing do LARI

Nesta sexta-feira, dia 20/10, o PET-REL realizará o seu quarto e último Laboratório de Análise em Relações Internacionais (LARI) de 2017.

Não perca a oportunidade de aprender conosco!

Nesta edição, vamos analisar a conjuntura internacional acerca de dois assuntos distintos:

  • Perseguições Étnico-Religiosas (com maior enfoque no caso dos Rohingya) e
  • Animações e a política em produções audiovisuais.

Com o intuito de instigar um debate mais proveitoso a todas, preparamos um briefing para nos familiarizarmos melhor com os temas. Confira!

Convidamos todas a participar. Cheque a página do evento no face aqui.

Contamos com sua presença no LARI nessa sexta!

XXIII Boletim de Conjuntura

O PET-REL torna público seu XXIII Boletim de Conjuntura.
Não deixe de conferir:
Nesta edição trabalhamos os seguintes temas:
– Retrocessos e Avanços nos Direitos das Mulheres
  • A Moeda de Gênero: a lei de aborto e as eleições chilenas (por Bárbara Okamura)
– Internacionalização da Música Latino-Americana no Século XXI 
  • Pop feat. Reggaeton: A hibridização como produto da Indústria Cultural (por Tomás Biscaro)
  • Música brasileira na indústria internacional e uma nova projeção identitária (por Oliver Freiberg)
– Supremacismo Branco em Charlottesville
  • Intolerância à Brasileira (por Nina Recine)
  • Trump e o silêncio moral na presidência dos EUA (por Gustavo Partel)
  • A Insustentável Leveza de Trump: a ilusão da liberdade presidencial (por Tiago Rubo)
 – Coreia do Norte e interesses dos EUA na península coreana
  • A Bomba Coreana e os Interesses Estadunidenses (por Lucas Sato)
Convidamos todas a lerem nossas análises.
Aproveitem a leitura!

Segunda Fase do PSEL (2/2017)

Preparadas para a segunda fase do PSEL?

As candidatas aprovadas na primeira fase podem encontrar informações sobre horários e locais das atividades de amanhã nessa tabela.

Lembramos a todas que o debate monitorado tem início às 9h e as apresentações às 10h.

Por fim, no intuito de garantir um debate saudável e mais proveitoso para todas, disponibilizamos um guia para reforçar a importância do respeito ao longo da atividade. Machismo, homofobia, racismo e outras formas de opressão não serão tolerados!

Até amanhã!

Perguntas Frequentes sobre o PSEL (2/2017)

Com o intuito de sanar as principais dúvidas encaminhadas ao grupo ao longa do período de incrições, a equipe do PET-REL apresenta um curto F.A.Q. para auxiliar as possíveis candidatas do PSEL nessa reta final.

Se sua dúvida não estiver contemplada pelo nosso F.A.Q., não hesite em nos contactar via nosso email ou nossa página do Facebook. Lembramos a todas que as incrições se encerram no dia 12/09.

Continuar lendo “Perguntas Frequentes sobre o PSEL (2/2017)”